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segunda-feira, 19 de maio de 2008
"O início, o fim e o meio"
quarta-feira, 30 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
Como gosto de olhar você dormindo, me acalma a alma, como você me fez tão bem ... e veio na hora exata, mesmo sem planos. Foi mesmo a vontade divina, e tudo está predestinado. Quando te peguei no colo tive medo, de tantas responsabilidades que estavam por vir. Estava começando a aprender a cuidar de mim, mas tive que me virar para cuidar de você. Tinha um monte de gente para me ajudar, mas não é disso que estou falando, não apenas do cuidar do dia-a-dia, mas do aprender a amar. E não foi fácil, aliás amar nunca é fácil. Você acordava de duas em duas horas para mamar, e meus peitos doíam. Eu vivia para você, não tinha mais minha vidinha privada, se bem que é assim até hoje, e já não me importo, até gosto. Quando te embalava e cantava pra você, me sentia feliz como nunca havia me sentido. Me sentia pura, me sentia mãe. E hoje quando coloco um monte de tinta guache e deixo você se lambuzar inteiro, a vida faz sentido. Eu não sabia onde procurar as respostas e você me veio: é a mãe do Forrest Gump estava certa, " a vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar". Tive que deixar o seu pai, o que me doeu muito, mas me fez amadurecer. Ele te ama como eu, e agora está enxergando isso...e te quer como nunca quis alguém em toda a vida dele.E conversamos sobre isso, como é surpreendente amar alguém assim, como não estávamos preparados. E eu depois de uns 14 anos me enveredando por relacionamentos tortos, depois de muitas partidas , e sem esperar, estava amando novamente, só que dessa vez estou preparada e realmente quero, e foi você meu bebê que me ensinou amar e a querer. Estou nessa fase John Lennon e \yoko \ono sabe, " All we need is love"!
" Dorme nenêm do meu coração, dorme pitico, dorme Antônio..Bicho papão saí de cima do telhado, deixa o meu Antônio dormir sossegado..."
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Topa tudo por dinheiro
Desde a abertura do Congresso até a Plenária final o que ficou em evidência foi à manipulação da discussão sob o tema da Reforma Universitária. O primeiro dia, sábado, 30 de abril, a mesa de debate teve como pauta a reforma universitária, os debatedores, incluindo aí o digníssimo Gustavo Petta, atual Presidente da UNE, mostravam suas opiniões favoráveis à reforma, porém o que deveria ter sido um debate, aberto para as intervenções, se tornou uma palestra pró-reforma. Nesse mesmo dia, à tarde, os Grupos de Discussão (GD´s) tentavam transformar aquele Congresso em algo mais democrático, havia seis grupos de discussão, divididos em três temáticas, Reforma Universitária, Conjuntura Nacional e movimento estudantil, como separar estas três temáticas.... só a organização do Congresso conseguiu tal proeza. Os GD´s tinham duração de duas horas, o que deu pra notar que as duas mil pessoas que deveriam estar participando ou ainda não tinham chegado ou estavam em alguma balada, porque não havia ali nem quinhentas pessoas.
Neste mesmo dia foram instaladas várias catracas no ginásio, no momento que estava acontecendo os GD`s. Enquanto as pessoas estavam lá fora, nas barracas de lona, manifestando suas idéias, os organizadores do Congresso tiveram a prepotência de colocar catracas, para o último dia do Congresso, que por coincidência era o mesmo dia em que seria decidido se os delegados eram contra ou a favor à reforma, e também quem seria o novo Presidente da UEE. Quem estava lá como observador, teria então que retirar o seu crachá, pagando R$ 20, para poder assistir a Plenária final. Houve uma indignação geral dos participantes, segundo um dos organizadores “este dinheiro é para cobrir as despesas, como alimentação e segurança”, porém se a entidade quisesse reverter este dinheiro para tais propósitos, teria cobrado antes essa quantia, na hora da inscrição. Renata Petta, representante da entidade alegou que o motivo da catraca era para se ter um maior controle na votação, porque havia denúncias de fraudes nos congressos passados.
O que foi visto no dia seguinte, era a passagem livre dos estudantes, não havia nenhum obstáculo, o tal controle contra as fraudes foi eliminado. E também dava para notar que o ginásio estava lotado, no começo da Plenária os representantes de todas as forças políticas tiveram o direito de falar sua posição em relação à reforma, de repente no meio de toda barulheira, ouvia-se um hino “Vamô, vamô, vamô embebedar....vamô embebedar até cair e vomitar!”, eram os estudantes da Univale, chegando ao Congresso, todos equipados com latinhas de cerveja nas mãos. A pergunta veio à tona:
- Porque vocês vieram a este Congresso? Beber?
-Não, (risadas), a gente veio pra representar a nossa universidade, o nosso curso.
-O que vocês estão achando do Congresso?
- A gente chegou ontem à noite, e isso aqui tá muito desorganizado.... não consegui tirar o crachá para delegado, também ontem na hora que chegamos, não havia mais lugares nos alojamentos, e todas as pousadas estavam lotadas...Tivemos que ficar na cidade vizinha.
- E vocês são contra ou a favor à reforma?
- Eu sou a favor, mas tem vários pontos que sou contra.
- Quais?
- Ah..... isso a gente não pode falar, é segredo da nossa universidade.
- Mas vocês não vieram aqui para representar a posição do seu curso, debater...?
- Então, a gente não pode falar não!
Através deste exemplo, ou melhor, desta entrevista que tenho gravada se ninguém acreditar, percebe-se a falta de esclarecimento dos estudantes sobre o que vem a ser esta tal reforma universitária, eles são a favor, embora nem saibam pontuar porque são adeptos a tal modificação no sistema educacional que o governo está tentando implantar. Outra pérola foi a de uma estudante da Unip-Alphaville, que nem sabia do que se tratava a reforma:
-É muito bom ter um congresso como este porque reuni jovens de vários lugares para debater a educação.E eu sou a favor da reforma.
-Porquê?
- Tem muita coisa que tem que ser melhorada nas universidades, e eu acho que a reforma dá conta disso, mas tem alguns pontos que eu não concordo.
- Quais?
- Éhhhhh....
- Você leu o anteprojeto? O que você vê de positivo?
- Olha para quem leu o projeto, tem muitas coisas boas, que vai ajudar na melhoria da educação, a reforma pega nas prioridades...
- Quais são as prioridades?
- Sabe o que que é....o pessoal que eu estou junto tá indo pra lá....
- Fala o seu nome completo então?
- É P. B.!
Enfim, não precisa nem falar nada. Tente você mesmo tirar uma conclusão do que foi este pseudo Congresso, qual é a relevância deste, como agia a massa de manobra, qual foi a intenção da entidade em transformar um espaço de debate num programa de auditório, estilo “Topa tudo por dinheiro!”
A decisão final, obviamente, foi o apoio à reforma, e o Presidente eleito, Augusto Chaves, da Unesp de Rio Claro, conchavo da família Petta, fez um discurso brilhante falando da independência da entidade, não atrelada a nenhum partido político...apenas sustentada pelo PcdoB, né, Augusto??
A partida foi desejada com alívio, mas também intrigada pela tristeza, decepção, revolta, constrangimento e desapontamento. O que fica para os estudantes, universitários como eu, que acha essa reforma o fim da picada, é combater toda essa estrutura falida inserida nestas entidades, que dizem nos representar. Ironicamente eles não conseguiram nos vencer, apesar de toda depressão pós- Congresso, martela na nossa cabeça a vontade de poder transformar, disseminar pelos quatro cantos, feito um passarinho, o que realmente nos interessa: ensino público e gratuito para todos!!!
Das antigas " ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.."
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Enquanto apagava o cigarro olhava ao redor e se sentia em casa naquele boteco.Tantas coisas ocorreram ali, em cada parte, cada espaço a fazia recordar os momentos intensos que tinha vivido naquele ambiente.
Morava em cima do bar, tomava o cafezinho de manhã, almoçava e jantava , se embriagava também.Gostava da mesinha do fundo, aquela ao lado do banheiro, para duas pessoas, a toalha de mesa era xadrezinha, bem coisa de paulista.
O dono do bar era uma figura, todas as noites pegava o seu violão e agitava a energia do lugar tocando Jovem Guarda. Ana não apreciava Roberto Carlos e sua trupe, tinha um gosto inclinado mais para os tropicalistas, amava Tom Zé e viajava ao som lisérgico dos Mutantes. Só que aquele momento em que Hamilton pegava o seu violão, e animava os aposentados que passavam praticamente o dia inteiro lá, se congelava, tornando-se até mesmo místico.
No começo Ana ficava meio retraída de se embriagar sozinha, mas depois foi relaxando, conhecendo os frequentadores e aquele ambiente acabou sendo o seu fiel companheiro.Algumas vezes escrevia poemas, quando estava bêbada as palavras fluiam de uma maneira tão natural e livre… tinha orgulho daquilo que escrevia, se sentia realmente feliz por ter experimentado os sabores da vida de maneira tão mágica. Lia em sua mente a primeira estrofe :
“Espero, Espero,
A luz percorre meu corpo,
A bebida se ilumina
na mesa de madeira
Eu sei que você não virá
mas continuo aqui
inspirada pela vodka
Tempo indefinido,
eterna esperança
que me corrói”
Pensava em Bárbara, tinha marcado às nove, o relógio marcava nove e meia. Ansiedade, palpitações, cigarros vários, a vontade de fazer xixi piorava a situação. Resolveu ir ao banheiro. Sentada na privada, observando os azulejos, se lembrou que naquela mesma posição Bárbara a beijará pela primeira vez.
Um beijo inocente, de pura amizade manifestada.Surpreendente,o gosto de sua saliva misturada com a de Bárbara lhe causava frio na barriga. Se deliciar com o mesmo sexo, e sendo ainda a sua melhor amiga, contorcia-se a alma.
Pede mais uma vodka, acompanhada com um suco de laranja, aquela mistura ajudava a relaxar. Acende outro cigarro, “ Onde diabos se meteu Bárbara?”, reclama mentalmente. Dá um gole fenomenal quando a tão esperada criatura invade o lugar.
Com uma mini saia, salto alto, blusa preta de uma manga só, e barriga à mostra, Bárbara surge como um arrastão para invadir os pensamentos dos velhinhos necessitados.
“O furor extinguira-se nele. Se fosse um único, se fosse apenas o Assunção, mas eram tantos! Afinal, não poderia sair, pela cidade, caçando os amantes. Ela explicou ainda que, todos os dias, quase com hora marcada, precisava escapar de casa, embarcar no primeiro lotação. O marido a olhava, pasmo de a ver linda, intacta, imaculada. Como e possível que certos sentimentos e atos não exalem mau cheiro? Solange agarrou-se a ele, balbuciava: "Não sou culpada! Não tenho culpa!". E, de fato, havia, no mais íntimo de sua alma, uma inocência infinita. Dir-se-ia que era outra que se entregava e não ela mesma. Súbito, o marido passa-lhe a mão pelos quadris: — "Sem calça! Deu agora para andar sem calça, sua égua!". Empurrou-a com um palavrão; passou pela mulher a caminho do quarto; parou, na porta, para dizer:
— Morri para o mundo.”
E era dessa forma que o imaginário da classe aposentada remetia a figura de Bárbara, era a dama da lotação sonhada por tantos rodriguianos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Glauberianas
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
" A vida como ela é.."
Ele se apaixonou e se grudou por anos, sempre foi romântico, contudo, tinha muito ainda que amadurecer. Ele ficava com a namorada no quarto, ela nos quintais da vida. Ele desceu pra tomar água. Passou por ela, mas não se olharam. Ela estava num canto sozinha, já não mais feliz, aquilo tudo não fazia sentido. Ele foi se decepcionando também, precisou de ajuda, foi escolhido pela solidão. Ela tirou a sorte grande: fez um companheiro pro resto da vida, o filho, abençoado, ela sorriu com lágrimas nos olhos novamente. Já não amamentava mais quando decidiu sair, queria chegar cedo pra ficar com o pequeno. Foi num bar encontrar a melhor amiga, sentou sozinha na mesa e só prestava atenção no som. O som era dele, sim, ele estava no palco, tocando e eles se olharam. Na verdade, ela olhou pra ele e como estava sem óculos não tinha certeza se ele estava olhando para ela também. Mesmo fora de foco, ela o achou lindo...e a amiga chegou. Finalizado o show a amiga o apresentou. Cena de filme, eles se encontraram. Mas não seria daquela vez, ele estava com o coração partido, não tinha como olhar pra ela do jeito que ela queria. Não se viram por seis meses, ele se apaixonou novamente, ela não conseguia se interessar mais. Tudo tinha mudado, as pessoas ainda tinham um gosto artificial. Se encontraram novamente, conversaram, tentaram não se apaixonar. Mas ela tinha caído em sua própria armadilha, amou-o desesperadamente, sem querer amar. Tinha medo, ainda não sabia lidar com toda aquela novidade. Cafés de madrugada, conversas ao pé do ouvido, cinemas, constelações, risadas, cervejinhas, daft punk, ruídos na comunicação, mensagens de celular, declarações, flores, passeios no parque, bolos de banana, cartas, choro, tudo isso compunha o romance. E eles querem se casar, ela quer que seja no meio do mato, ela : descalça, com um vestido hippie branco, e uma coroa de flores na cabeça. Ele vai busca-la no trabalho, ela fica atenta olhando e já sabe. É o verdadeiro amor da sua vida. E fica aliviada de já tê-lo encontrado. Ele sempre esteve ali, ela também sempre cruzou a sua vida. E houve o tempo que eles nem pensavam em se conhecer, e houve o tempo que eles quase se esbarraram, e houve o tempo que não teve mais jeito, tudo ficou ajeitado e foi se ajeitando para que as almas se olhassem. Como diria Nelson Rodrigues, "a vida como ela é..."