Se fosse há uns seis anos atrás estaríamos nos arrumando para ir ao Delta, não é, Divone? Toda quinta era a única certeza que tínhamos: Oba, é hoje, Delta Blues bar!
Era um ritual, esperávamos a semana inteira pra chegar a bendita quinta-feira, estávamos predestinadas aquele lugar, era realmente a nossa segunda casa, conhecíamos todo os figuras, o barman já sabia qual era a nossa bebida predileta, e a dividia em dois copos. O blues nos incorporava, a bebida descia aprofundando nossas mágoas. Cigarros, olhares, conversas, tudo girava e mais uma vez se fazia história. Foi nesse ambiente que Divone me viu pela primeira vez, e desde essa época nos envolvemos sem perceber, eu descalça, cabeluda, e Divone linda, contagiante.
Depois não teve jeito, elegemos o Delta para nos libertar, e a cada quinta era sempre uma nova descoberta. Novas bandas, e antes a vodka, Janis na vitrola, baseadinhos, éramos os anos 60. Fecho os olhos e me vejo rebolando, sim, era o rock´n´roll em minhas veias, que na minha memória me seguirá sempre!
Se eu pudesse voltar, Di, estaria te preparando uma cuba, e te dando opiniões sobre o seu vestido. Você estaria me maquiando, e na sacada do nosso apartamento acenderíamos um cigarro para filosofar. Ah, se eu pudesse retornar aos nossos anos rebeldes....faria tudo de novo!
Total de visualizações de página
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Cinema
Ir ao cinema para mim é se livrar dos pequenos impasses do dia-a-dia. Colocar o celular no silencioso, se fechar em uma sala escura, sem pressa para sair, é ter um prazer escondido na manga. Fui ver Jules & Julia, pra começar, foi tão diferente, que a minha mãe e minha irmã foram as minhas companhias. Isso é tão raro, geralmente vou com o meu namorado, ou com o meu filho, mas sair assim com D.Irma, e ainda mais para fazer algo tão gostoso, foi encantador. E o filme...às vezes queria que a minha vida fosse um filme. Quando era mais nova e assistia aos dramalhões isso se passava na minha cabeça, tudo era um filme. Com a rebeldia dos meus 18 anos, passei dos dramalhões para os filmes de arte: Tarantino, Bertolucci, Danny Boyle, Glauber Rocha, Scorcese, Milos Forman, Truffaut. Uma nova porta se abriu, e em Campinas existia um cineminha escondido no centro da cidade, o Cine Paradiso. Era umas dez quadras de distância do meu apartamento e toda semana fazia questão de ir sozinha, gostava de me ver nos filmes, era como se fosse uma terapia. E era. Até hoje me vejo neles. O cinema para mim é um reencontro. Toda essa fantasia me faz sentir viva. Saio daquela salinha com vontade de cozinhar, de chorar, de dar risada pro vento, de ligar para os meus amigos, de escrever cartas, de fazer carinho no meu filho, tenho vontade de dizer para o Leo que eu realmente o amo, e sei que tenho muito que escrever.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
2010
Abandone o rock´n´roll. Deixe a insegurança de lado. Abandone os amigos de copo. Não seja mais beat, esqueça Bukowiski. Tenha fome. Tome banho. Acorde de manhã. Discipline-se. Corra 12 km por dia. Não tenha saudades. Liberte-se dos amores platônicos. Seja realista nas suas escolhas. Despreenda-se do passado. Perdoe-se. Suba a Rua bahia até a 15 de novembro. Sem medo, realize-se. Respire fundo. Tudo vai passar. Faça planos. Crie expectativas. Compre presentes para quem você ama. Faça um bolo formigueiro. Vá ao teatro com o seu filho, ou leve sua mãe. Ligue para os melhores amigos. Respire fundo. Tome água. Abandone a nicotina. Vá comer num restaurante aconchegante. Observe os pássaros. Estude. Tenha planos. Vá até o fim. Tenha paciência. O seu mundo se renova a cada dia.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O meu tema, de minha vida nesse blog, tem sido quase que exclusivamente a maternidade.
Mudei de cidade, voltei para as minhas origens paraguaias, moro embaixo das asas seguras de minha mãe, mas o que me fez ver tudo com outros sentidos foi o fato de virar mãe. E tem coisa melhor? Acordar com um anjinho te abraçando e te beijando e dizendo: "Mãe, eu adoro dormir com você". Estou aprendendo sobre o amor, o Antônio me mostra como é que pode ser tão gostoso amar e ter de volta o mesmo amor.Coisas que com adultos dificilmente conseguiria. Com minha mãe não é assim, nem com o meu pai, pode ter sido. Será que é a magia de ser criança? Ter os olhos da bondade? Nem nos meus relacionamentos mais ingênuos foi assim...na verdade foi onde aprendi a me tornar "adulta", sofrendo, é assim que a gente saí desse mundo da fantasia, sabendo que na verdade o cara que você gosta nunca vai se apaixonar por você.Já com o meu filho é tão diferente, e este sentimento de ser rejeitada fica lá longe, me sinto amada pela primeira vez. Era o que me faltava, o que me encoraja, sei também que ele vai crescer e pode ser que se afaste de mim, mas agora quero aproveitar cada momento com essa criatura que me faz feliz todos os dias.
Mudei de cidade, voltei para as minhas origens paraguaias, moro embaixo das asas seguras de minha mãe, mas o que me fez ver tudo com outros sentidos foi o fato de virar mãe. E tem coisa melhor? Acordar com um anjinho te abraçando e te beijando e dizendo: "Mãe, eu adoro dormir com você". Estou aprendendo sobre o amor, o Antônio me mostra como é que pode ser tão gostoso amar e ter de volta o mesmo amor.Coisas que com adultos dificilmente conseguiria. Com minha mãe não é assim, nem com o meu pai, pode ter sido. Será que é a magia de ser criança? Ter os olhos da bondade? Nem nos meus relacionamentos mais ingênuos foi assim...na verdade foi onde aprendi a me tornar "adulta", sofrendo, é assim que a gente saí desse mundo da fantasia, sabendo que na verdade o cara que você gosta nunca vai se apaixonar por você.Já com o meu filho é tão diferente, e este sentimento de ser rejeitada fica lá longe, me sinto amada pela primeira vez. Era o que me faltava, o que me encoraja, sei também que ele vai crescer e pode ser que se afaste de mim, mas agora quero aproveitar cada momento com essa criatura que me faz feliz todos os dias.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Iracema
Há mais de dez anos minha família não se reunia. E dessa vez foi por motivo de morte. Os olhos de Iracema nunca mais se abrirão. E toda a rotina da casa mudará. E os gemidos não serão mais escutados, e Antônio vai entrar correndo pela casa e quando for querer ajudar a Dora a dar banho na sua bisavó não entendera porque ela não se encontra mais ali. E a minha mãe continuará fazendo perguntas, se questionado se fez o possível pra mãe dela viver. A tia Vanda desligará sua televisão, procurando algo para fazer, conversando sozinha irá compreender que aquele era o destino da vó.
E eu vou me lembrar das rosquinhas de pinga que ela fazia, da minha infância em Bernardes, dos olhos mais coloridos que já vi, da força dela de querer continuar a viver, enfrentando sua doença e morrendo serenamente como tinha que ser.
E eu vou me lembrar das rosquinhas de pinga que ela fazia, da minha infância em Bernardes, dos olhos mais coloridos que já vi, da força dela de querer continuar a viver, enfrentando sua doença e morrendo serenamente como tinha que ser.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Infância
Tenho muita vontade de ser criança novamente. De acordar para brincar, andar de bicicleta, andar pelas ruas da cidade sem medo de nada, de chupar picolé de abacate, de me esconder embaixo da cama, comer coisa cor de rosa, dos abraços apertados de meu pai, dos meus cachorros, da minha pequenina Larissa.Ontem fui ver um espetáculo francês que me remeteu a todo esse cenário. Era um homem e a sua bicicleta. Música, luz e sorrisos vibrando por toda a platéia. " Você não vai andar de bicicleta para sempre", dizia a voz que deixava o protagonista agoniado. Era, na verdade, uma metáfora, de que você criança um dia vai ter que abandonar a sua infância para se enveredar na vida adulta. E isso é doloroso, pra mim ainda está sendo. Tudo que faço penso no meu filho, assim, ah, hoje tem um show lá no Parque, legal dá pra levar o Antônio, ou vai ter uma peça infantil, bacana, ele vai adorar. Ou olha só tá chovendo, vamos colocar nossas capas de chuva e sair correndo por aí??
Volto a minha infância com o meu filho. E é tão verdadeiro esse estado que quando volto a minha vida adulta, burguesa, de preocupações financeiras me entedio fácil. Saio da minha aula de manhã pensando em como posso transformar o dia de Antônio.E na verdade , sem querer, estou pensando em como posso transformar a minha vida. Sexo, drogas e rock´n´roll já não tem mais graça. Acordar de manhã e passear com ele, tomar água de coco, e fazer castelinho de areia me traz serenidade. Pode ser até uma forma de se esquivar da realidade, mas ainda estou procurando saber o que quero e o que me faz bem.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Tudo novo de novo
E não é que os grandes amores ainda por serem estes nos deixam serenos e com aqueles suspiros que ninguém sabe explicar... estou assim, rindo à toa, achando o mundo divertídissimo, tendo tesão nas minhas coisas do dia-a-dia. Novos rumos, novas tarefas, novos cursos, estou estudando, me preparando para os futuros concursos. Fazendo sínteses em papel pardo, usando as canetinhas do Antônio, me pondo na linha. Não passei naquele, sem problemas. Vamos arregaçar as mangas e tentar novamente. Estou entendendo, preciso comer castanhas! O homem que amo também está ocupadíssimo e isto é ótimo! Nos encontramos no final do dia, lá pelas dez da noite, morrendo de saudade um do outro. Voltei a ler jornal, sem amargura no coração, voltei a ler histórias para o meu filho...voltei a ter saudade dos meus verdadeiros amigos.Minha irmã está aqui e me enche de carinho, minha mãe se abre comigo, e meu pai do jeito dele...preciso ter coragem pra dizer a ele que ainda o amo. Não sei como chegar nesse clímax, preciso me abrir para o perdão. Preciso de poesia, boa pedida pro meu aniversário. Preciso de uma banho de rio. Preciso de fé.
Assinar:
Postagens (Atom)