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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Antônio

Lembro-me como se fosse ontem...eu tomando café, a bolsa rompida, eu achando que estava fazendo xixi nas calças tranquila (pensava que era uma última fase da gravidez- fazer xixi nas calças!).
Era ele querendo conhecer o mundo há cinco anos atrás.
Me fez mudar tanto, me fez ver felicidade onde eu nem sabia que existia.
Me faz amar loucamente, me fez fazer as pequenas coisas com calmaria.
E também trouxe ansiedade, medo, vontade de chorar.
Tá grande, quase na altura dos meus peitos.
Questiona tudo, até quando foi soprar a velinha e eu disse:
-Faz um desejo que ele se realiza!
Ele:
- Quando?
Eu sem resposta...milhares de perguntas que não faço idéia do que posso falar e assim vou aprendendo que ser mãe não é pra qualquer uma não!
Orgulho meu esses olhinhos azuis!
Que diz que o meu omelete é o melhor do mundo.
Que me abraça e enxuga minhas lágrimas quando choro.
Que me ensina a brincar.
Príncipe...o que seria da minha vida sem você?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Voltou e não veio a mim.
Fiquei esperando
na minha pressa
a sua chegada.

Veio sem romance,
sem palavras.
Não era como em 2008.

Eu contava os minutos
para a solidão se apresentar,
não era mais dona de mim.

Dormiu de braços vazios.
Sem o seu cheiro, sem expectativas.
Atropelou a saudade,
e a vontade de ser o que já não era mais.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ouvindo dub teve um pressentimento.
Que o cabelo cresceria,
e aí quando estivesse madura,
viria o emprego tão sonhado.
Seria feliz,
e pensou que pra chegar até lá
teria que acordar.
Não só dessa realidade,
que a impede de se mover,
mas levantar cedo, fazer sacrifícios.
Rabiscou um cronograma,
dessa vez daria certo.
Tinha que ser racional,
o coração não estava muito bem.
Assiste novelas antigas
pra se lembrar como era.
Fantasia o seu futuro,
quer uma nova tatuagem.
Escuta David Bowie
vai tentar ler Virginia Woolf.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Campinas

Como é percorrer as ruas de Campinas depois de cinco anos sem morar aqui?
A cidade que mudou ou sou eu que envelheço?
Vou até a Igreja Nossa Senhora do Carmo e rezo.
Passeio pelas praças.
Como um pedaço de torta na confeitaria Senzala.
A Puc-Central ainda vibra ancorada no centro.
Vou até o sebo da esquina do meu ex-apartamento, compro um livro anarquista e Drummond.
Ali era minha travessia para uma jornada cultural.
Estou no City, terminando a primeira garrafa de cerveja.
Pessoas que nunca vi.
Não me sinto sozinha, sou forte, espero os meus camaradas.
Essa cidade me lembra tanto o Cris que tenho a impressão que ele chegará a qualquer momento.
Já não sou mais aquela que todos conheciam, embora o passado não passe nessa cidade.
Hoje vi a síndica do prédio que me odiava, e também, certeza, aquele cara que atravessava a rua era "O Politizador".
Me fez sentir que ainda vivo nessa cidade, que pertenço a esse lugar, que por instinto não consigo me perder.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Outra vez me vejo procurando um destino entrelaçado em algum esconderijo,
pois meus anseios me paralisam.
E não é que novamente estou terminando 05 anos dedicados a minha imensidão?
E vou fazer 30 anos
e ainda não sei quem sou.
O que será que será?
Sei que vou sentir falta
das aulas, da biblioteca, dos cigarros pós-provas.
Amanhã brindarei meu novo ano,
com os amigos que fiz, vou brindar a minha luta,
por uma sociedade igualitária
porque agora sou ferramenta humana,
que se dedicará a trazer justiça a quem não acredita nela.
Continuo sendo eu mesma, porém, com a benção de desvendar os problemas
e transformá-los em solução,
Eu sei que muita gente do meu passado não consegue me ver,
eu também demorei, transcorreu muito tempo pra entender
que apesar de ser assim, como diriam os conservadores "porra louca",
posso não somente acreditar no estado democrático de direito
como posso alcançá-lo
como a minha mente e meu coração.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Flutuam meus sentimentos
a fim de me libertar
10 anos
fico quieta
e rezo

mando pra ti
flores cheias de amor
passáros brancos
não existirá mais dor

não preciso saber de nada
agora só de mim
é a sensação de estar bem

desamarrei-me
sonho ainda
sempre
não, é?

Amigos?
Espero, incessantemente
que sim

sábado, 7 de agosto de 2010

Éramos como gatos pingados marchando pela noite.
Tinha passado o passado.
E era Raul que ainda ouviámos.
A vida era outra.
Embora o bar fosse o mesmo.
Euchéria e sua gargalhada, inesquecível.
Foi-se uma noite.
E tocaram até Villa Lobos em formato de Hendrix.
O passado, sempre.
O futuro....