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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Todo cambia




Já passei por esse estado mental algumas vezes, de perda, solidão, desespero e dor.

Conhecia um único caminho pra tentar enfrentar essas sensações, a vereda dos poetas, loucos, marginais e afins. É verdade, sempre gostei desse lado, sempre me atraiu o submundo, talvez porque eu achava que só assim conseguiria escrever, tinha que espremer até a última gota, queimar a largada, como cansa de repetir um amigo meu.
Mas hoje, com a cara inchada de tanto chorar, com o corpo exausto, devido a falta de comida e sono, acho que não vou mais me compadecer desse pensamento.
Não vejo que é isso que vai me fazer evoluir, que é dessa forma que vou aprender a finalmente me virar sozinha. As respostas podem estar aqui na minha frente. A mudança é agora, nesse minuto, nessa mesa, na minha postura. A vida é sagrada, como diz o meu ex e eterno amor.
O que me mata e me faz ficar cada vez mais cega?
O que fazer com toda essa liberdade?
Tomar decisões, pequenas decisões cotidianas, atravessar o senso comum, o "cool", o esperado.
Porque eu sei que as pessoas me olham e julgam.
Já ouvi, outras pessoas vieram me falar....e essas mesmas pessoas que me julgam e apontam o dedo, são justamente essas que se dizem tão libertárias...papo furado.
Cansei de ser a porra louca do mundo.
Todo cambia, Mercedes canta, e é pra mim.
Eu sei diva, eu vou mudar também.
Não vou fazer uma lista das minhas pretensões.
Mas lavar o rosto e enfrentar o mundo já faz parte da mudança.
Até que sorrio devagarinho.
Chegou a hora.
Eu X Eu.
Eu sei que perdi um grande amor, o maior de todos os tempos, porque de repente me entreguei, me perdi na crueldade da vida. E é tão bom abrir os olhos, se encarar, e perceber o que você não quer.
Não é, Léo?
Não sou forte o bastante ainda.
Vou tentar. Por mim.
Por nós.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Campanha “Dudu Livre” arrecada livros para presídio e denuncia arbitrariedade da Guarda Municipal


 
 
 
Durante a manifestação do dia 7 de setembro na Praça do Rádio, organizada por várias associações e movimentos sociais, tais como Anonymous Mato Grosso do Sul, Vem Pra Rua Campo Grande e Grito dos Excluídos, amigos do ator Eduardo Miranda Martins, o Dudu, irão lançar uma campanha com o intuito de cobrar das autoridades do Poder Judiciário a sua soltura.

Como estratégia de mobilização, serão arrecadados livros para que sejam doados ao Centro de Triagem, presídio onde Dudu se encontra. Dessa forma, enquanto não ganha a liberdade, Eduardo poderá promover atividade cultural importante, incentivando a leitura entre os detidos e os agentes carcerários, organizando uma biblioteca no local.

Outra forma de chamar a atenção da opinião pública será através de uma intervenção artística. Os amigos do ator vão ficar, durante as manifestações do dia 7, enjaulados, revezando-se, a fim de que as pessoas que estejam na praça tomem conhecimento do abuso de poder ocorrido nessa prisão, do desrespeito às garantias e direitos fundamentais e das liberdades individuais.

A performance questiona as políticas criminais e de segurança pública, que não são pautadas por valores democráticos e tampouco voltadas ao interesse público.

Droga plantada

Dudu foi preso após a passeata do dia 21 de junho, em frente ao Paço Municipal, como assevera Carol Emboava, testemunha que estava ao lado dele no momento em que foi pego:

“De repente, vimos um movimento de cerca de cinco pessoas com roupas normais saindo da ‘corrente’, ‘paredão’ que cercava a Prefeitura. Eram guardas municipais que ‘protegiam’ a Prefeitura. Um fingiu que foi pegar o ônibus, os outros foram para o outro lado disfarçando... chegando perto do ponto de ônibus, o homem que fingia estar esperando o ônibus (guarda à paisana, estava de boné vermelho, blusa branca, jeans, capa de chuva e mochila estilo ‘saquinho’) correu e pulou no Eduardo Miranda, os outros homens (guardas à paisana) que foram para o outro lado chegaram o derrubando, rendendo o Eduardo. Ele caiu, colocou os braços para cima e disse ‘mas eu não fiz nada, eu não fiz nada...’. Eu esperei que eles me pegassem, não me pegaram, eu saí caminhando lentamente e observando, foram levando o Eduardo Miranda para trás da Prefeitura, para dentro da ‘corrente’, do ‘paredão’ de guardas que estavam trabalhando naquele dia.”

Outra questão intrigante revelada pelos autos de inquérito policial é que Dudu foi detido aproximadamente às 20h30, mas só foi levado para a DENAR (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), segundo consta na lavratura do termo de detenção, por volta de 01h40, o que demonstra a ilegalidade da ação dos guardas municipais.

Dudu foi enquadrado pelo crime de tráfico de drogas, de acordo com a denúncia do Ministério Público. Supostamente foram encontrados em sua mochila 23 papelotes de cocaína e uma trouxinha de maconha.

Desde o ocorrido, seus amigos se mobilizam via Facebook para relatar uma nova versão dos fatos, a de que a droga foi plantada pela Guarda Municipal, ou seja, de que houve um flagrante forjado. Também denunciam que o modo como a prisão foi realizada teve caráter arbitrário e ilegal.


Na primeira semana em que Dudu ficou detido no Presídio de Trânsito, nenhum advogado conseguiu visitá-lo. Para garantir essa visita – que é direito constitucional –, a advogada Carine Giaretta teve que acionar a Comissão de Direitos Humanos da OAB e a Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados, sendo que os membros da primeira comissão também participaram da impetração de habeas corpus.

Os advogados de Eduardo Miranda, Rogério Batalha Rocha e Arnaldo Molina, já impetraram habeas corpus, que não foi conhecido pelo Desembargador Relator, Carlos Contar, bem como promoveram um pedido de revogação de sua prisão na 4ª Vara Criminal de Campo Grande, que foi indeferido no dia 03 de setembro.

Cidadão politizado e com engajamento cultural

Eduardo Miranda Martins é um jovem negro de família muito humilde. Foi candidato a vereador pelo PPS em 2012. Seu discurso político incluía um enfrentamento à Guarda Municipal, com declarações contra o Projeto de Lei – atualmente aprovado – que altera o art. 8º da Lei Orgânica do Município, autorizando o porte de arma pelos guardas. Entre outras coisas, Dudu criticava a falta de um regimento disciplinar para a Guarda.·.

Além disso, no dia 30 de abril, Dudu protocolizou reclamações contra a Guarda Municipal na Câmara dos Vereadores, na OAB e no Ministério Público Estadual, alegando ter sido espancado por 12 integrantes da Guarda, o que foi amplamente divulgado pela imprensa. O processo administrativo está sendo apurado pela Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública de Campo Grande.

Os amigos de Dudu apontam para a estranheza do fato de que apenas ele, entre os ativistas presos nas manifestações de junho, foi acusado pelo delito de tráfico de drogas, justamente pela Guarda Municipal que o ator vem denunciando há muito tempo.

Dudu, além de ser cidadão politizado, tem participação ampla em atividades culturais na cidade. Coordenou e participou de diversos eventos como o Festival das Culturas Populares, Cinema Livre, Vídeo Índio Brasil, Teatro no Ponto, Avá Marandú, Semana Brecht, Mídias Contemporâneas e Narrativas Populares, Campo Grande Meu Amor, além de ser professor de teatro no projeto “Casa de Ensaio”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Bom partido

Talvez seja isso: não sou um bom partido "casável" .
Vamos encarar os fatos: não paparico marmanjo, não sei fazer uma galinhada, não varro os 3 ou 4 insetos distribuidos nos cantos da casa, não sei lavar roupa de veludo, não tiro a mesa do café apressadamente, não vou a manicure, não uso batom diariamente, não pego a cerveja na hora do jogo, não arrumo a cama todo santo dia, não rezo.
Tem mais: não acompanho o marido toda vez que ele precisa viajar.
Aí, vem o lado perverso, temido: eu, assim, tão libertária !
Isso não pode, te desqualifica para o status "casável".
Não aceite cerveja de um desconhecido, não saia se não for ao lado do marido, não dance na frente do palco sozinha, não use vestidos curtos....e se for pra usar maquiagem, não invente de passar aquele lápis azul de olho, que só cai bem em européias.
Não fale palavrões, tenha postura, esteja sempre bem arrumada (dentro dos padrões de beleza), porque afinal de contas, aparência é tudo nessa sociedade capitalista patriarcal.
Eu tentei me enquadrar nos parâmetros aceitáveis da sociedade.
Na verdade, achava que eu tava velha demais pra ser eu mesma.
Mas quando ele me conheceu eu já era assim...
O que foi que mudou?
A boa moça se prostituiu para o mundo da subversão, a Pollyana, coitada, foi abduzida para as luzes do blues...gostou de sentar na mesa do bar, conversar com os amigos, ser ela mesma, pelo menos uma vez na semana.
Se identificou mais uma vez, com as reuniões, passeatas, vígilias, articulações políticas....mas isso não faz parte do mundo de mulheres que querem ser "casáveis".
Ficou só mais uma vez.
Mulheres assim, acabam sozinhas, impõe o patriarcado.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Setembro

Talvez essa ventania louca de agosto,
setembro batendo a minha porta,
solteiros de meia idade
prontos para barbarizar.

Talvez essa dor no meu útero,
que será queimado em breve.
Meus olhos distantes,
de ressaca,
da sorte mal dormida
e do azar a contragosto.

Talvez sejam as asas de Frida,
a fumaça do cigarro de Kerouac,
tudo se desatina,
em expectativas dilaceradas.

Talvez seja um pouco de mim,
que só quer dormir,
com cantos de ninar
e alguém a embalar.

Talvez falte a mãe,
o pai e o filho.
O vazio da sala,
que me faz chorar.

Talvez eu seja a Celine,
feminista raivosa,
nascida pra ser
apenas sozinha.

Talvez o tempo dilua tudo,
minhas mágoas
e
culpas.

Em breve
volto a ser eu mesma,
porra louca pra uns,
Pollyana pra outros,
sonhadora às avessas,
e poeta das rendondezas.




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O caso Dudu

Não tenho como ficar mais quieta. Passividade nunca foi o meu forte, preciso falar, afinal de contas, estou super envolvida com esse caso "Dudu". Já tinha visto o Dudu em várias manifestações do Coletivo Terra Vermelha, mas nunca tinha conversado com ele. No dia em que fomos apresentados, na vigília que aconteceu na praça do Rádio, em homenagem ao Oziel, achei o Dudu uma figura.  A gente tava com várias faixas, e fazia frio nesse dia, o combinado era acampar na praça, Dudu não tinha levado barraca e nem casaco, se enrolou numa das faixas pra não passar frio.
Nesse mesmo dia, havia 5 barracas montadas,  e a Guarda Municipal resolveu aparecer, éramos umas 10 pessoas, os guardinhas chegaram apavorando:
- Vocês não podem ficar aqui, tem autorização lá da Prefeitura?
No mesmo instante, eu que estava de prosa do outro lado da praça, resolvi intervir:
- Olha, não temos que pedir autorização pra ninguém, está na Constituição que temos o direito de nos reunir pacificamente....
Os guardinhas:
- Mas na Lei Orgânica do município vocês não podem invadir área pública sem avisar!
Eu retruquei:
- Olha só, seu Guarda, a Constituição Federal é superior a Lei Orgânica do município, amanhã vai ter sim uma grande passeata aqui nessa praça, e a Prefeitura e todo mundo já tá sabendo disso, portanto, nada nos impede de permanecer aqui.
Os Guardas Municipais foram embora, Dudu me olhou comovido e disse:
- Ainda bem que você peitou eles, eu já estou bem visado, em qualquer lugar que apareço sempre tem um guardinha municipal pra me aporrinhar....
O Dudu já se sentia perseguido, porquê?

Vamos aos fatos: No dia 29 de abril, ele estava na Orla Morena, e sem mais ou menos, foi agredido pelos guardas municipais, não querendo deixar barato, procurou diversos órgãos pra denunciar o abuso de autoridade, MP, OAB e a Câmara dos Vereadores.
Quer mais? Dudu foi candidato a vereador pelo PPS ano passado, uma das bandeiras de sua campanha era ser contra o porte de arma da guarda municipal, matéria que já foi votada e  já está inserida na Lei 4520- criadora da GM de Campo Grande (art. 48)-, agora, a guarda municipal vai poder usar armas, e sair atirando a Deus dará, porque enfim, se algum guarda municipal sofrer  processo administrativo, a comissão de sindicância são os "representantes da própria corporação"....vide Lei 4520, art. 40, § 1º:
"§ 1º As sindicâncias serão conduzidas pela unidade de correição da Guarda Municipal e as comissões que atuarem nos processos administrativos para apurar infrações administrativas e disciplinares da Guarda Municipal serão sempre integradas por representante da própria corporação".

Pra entender a prisão de Dudu

Junho de 2013, o país estava em polvorosa, em Sampa, onde foi noticiado que dezenas de manifestantes e jornalistas sofreram agressões por parte da polícia, alguns dias antes desse episódio, os manifestantes eram "vândalos", naquela quinta-feira (dia 13), os manifestantes viraram "heróis" pela grande mídia (porque talvez o tiro tenha saído pela culatra).
As manifestações ganharam força em uma semana, o Brasil inteiro saiu às ruas, já escrevi um texto sobre isso , não preciso entrar em detalhes. Aqui em Campo Grande, no dia 20 de junho, segundo a imprensa havia 30 mil nas ruas, já no dia 21, como estava chovendo, acho que havia 5 mil pessoas no máximo. Eu estava lá, junto com o pessoal do Coletivo Terra Vermelha e teatro maracangalhá, lembro que vi o Dudu de relance, sempre feliz, com um sorrisão na cara.
Encontrei o pessoal no meio do caminho e fomos até a Câmara dos vereadores, lembro que a minha mãe ligou e me recomendou pra não sair quebrando tudo (rsrsrsrs), poucos minutos depois, começaram a tentar invadir a casa legislativa, eu fui voltando pra Afonso Pena, mas querendo ficar, lembro que estava com mais dois amigos, e vimos o carro da CIGCOE voar pela avenida principal da cidade.
Também passei na frente da Prefeitura e vi a corrente de policiais abraçando todo o prédio.
E foi ali que o Dudu foi pego.
Como eu, tinha saído da manifestação, estava passando em frente a Prefeitura, estava com uma amiga, quando ali da Prefeitura saíram 5 guardas à paisana, montaram em cima dele, e o arrastaram para trás desse local, a amiga coagida, foi embora.
Horas depois saí a notícia bombástica nas redes sociais : Dudu foi preso em flagrante por tráfico de drogas, encontraram na mochila dele 23 papelotes de cocaína e uma porção de maconha.
Na primeira semana da prisão ninguém conseguiu falar com ele, eu resolvi ir até o presídio de trânsito, com um amigo advogado, ele pode entrar, eu não (não tenho mais a carteira da OAB).
Dudu disse que era inocente.
Formamos um coletivo, através do facebook, todos os dias estamos conectados e pensando de que forma podemos ajudar o Dudu.
Foi impetrado HC, negado pelos desembargadores,vamos de novo tentar, juntar provas, buscar novos depoimentos, mostrar o outro lado da moeda.
Sabe, quando conheci o Dudu, estava eu, ele e Rogério comprando frutas no supermercado pra compartilhar com a galera do acampamento, ele me disse:
-Ainda bem que vocês são advogados, se algum dia eu for preso, vcs vão me salvar!
Estou em dívida com o Dudu. Estou tentando, todos os dias, construo os fatos na minha cabeça, e penso como mostrar a verdade para as autoridades do judiciário.
Já falei com o Promotor, com a imprensa, com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, estou tentanto.
A liberdade criou forma, tem cor e endereço.
Vive agora me martelando.
Podia ter sido eu naquela noite.
Mas já estava tudo armado.
A liberdade chama-se Dudu!

terça-feira, 30 de julho de 2013

La vie en rose




A ideia de poder ter alguma coisa muito grave no colo do útero me assusta. Talvez porque eu seja mãe, e depois da maternidade fiquei medrosa. Antes não temia nada. Era aquele pensamento da juventude, tenho a vida inteira pela frente...
O sentimento de ter algo a perder  me estremece.
Repensar o que se foi e o que está por vir, acho que a maioria das pessoas enterram a cabeça no buraco pra não sentir, colocam o sorriso amarelo e vão vivendo conforme a música.
Apesar de toda a minha sinceridade, do meu jeito desbocado de ser, já usei como estampa esse sorriso amarelo. E cansei, talvez nas minhas bebedeiras eu demonstre o meu desassossego.
Esses 20 dias esperando os resultados dos exames, biopsia, ultrassom, captura híbrida, o caralho a quatro, vão me fazer mudar?
Vou comer mais salada, frutas, cortar o açucar, meditar?
Vou tentar encaixar os pedacinhos desse quebra-cabeça montando o meu coração?
Vou ser aquela mãe que cozinha, acorda cedo, não grita, que não fala palavrões, igual a do comercial de margarina?
Vou querer encher o cú de dinheiro, comprar vestidos novos, sapatos caros, fazer a unha no salão chique da cidade, cagar e andar pras notícias que me rodeiam?
Ou quem sabe pra não ser tão artificial realize algus sonhos!
Lembro-me que em 1999 fui pra Bonito, conheci uma galera bicho-grilo, aprendi fazer pulserinha e não caí na estrada por comodismo, talvez então arrume a mochila e vá viver um pouco esse lado Kerouac tão guardado em mim.
Volto e escrevo um livro.
Ou então vou pra Cuba,  tomar mojitos, conhecer os lugares que o meu herói se enveredou, conhecer de perto a minha ideologia.
Ou vou para o Rio, me torno uma "Black bloc", saio por aí quebrando bancos, tacando pedras em policiais, viver em passeatas e sonhos, como no maio francês, a imaginação no poder, transcendo o meu 1968.
Volto pra Chapada dos Veadeiros, moro numa comunidade alternativa, mexo com a terra e viro vegetariana, me acho no meio da multidão.
Danço o meu último blues na frente do palco, com os cabelos soltos na cara, olhos fechados, como nos velhos tempos....
Leio Ulisses, Proust, vejo Fellini, Buñuel, Bergman, Godard e Pasolini.
Ou vou morar com os índios, receber uma cura espiritual, lavar a alma, me integrar com a natureza, conhecer novas línguas, novos rostos, novas percepções.
Ou fico com o meu filho todos os dias da minha vida, ouvindo o "Eu te amo" mais doce do mundo.
Já sei ! Invado o presídio de trânsito e liberto o Dudu, depois levo um tiro igual a Heloísa, e morro sendo uma revolucionária!
Escrevo essa ficção apenas pra me alegrar, dar risada, sou assim, não perco a piada nem dentro do avião (onde tenho o maior medo de todos).
Poderia ter sido diferente, mas não foi.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Não para não!


"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."

Jack Kerouac.






A cada dia penso que se o gigante acordou, deve ter pitado um e votado a dormir....porque depois de tantas passeatas e algumas promessas do Governo, não vejo nada de concreto acontecendo. Na real, parece que as coisas estão piorando, dois fatos alarmantes me deixaram atônita : a a tal da "Minireforma" Eleitoral e a PLP 227.

Vamos situar você, querido leitor: A "Minireforma" eleitoral prevê a autorização da candidatura de políticos que tenham tido suas prestações de contas rejeitadas , o fato de os mesmos terem apenas apresentado as contas à Justiça Eleitoral já estaria valendo (ops....vamô deixar a boiada entrar!), permite financiamente de campanhas políticas sem recibo (é só tirar um extrato bancário que tá tudo certo, mano !), esses são os pontos mais importantes da parada que está por vir no próximo semestre, porque os Deputados e Senadores estão tirando o seu merecido recesso, o país tá um caos, mas pode esperar.....temos que curtir as viagens pagas pelo bolso do contribuinte, com direito de ir e vir nos aviões da FAB (Farra Aérea Brasileira).

PLP 227....what a fuck is that? Projeto de Lei complementar ...que visa regulamentar o § 6º, do art. 231 da Constituição Federal, vejamos:

"§ 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé."

Então é isso, a bancada mais conservadora e reacionária do Congresso quer que esse projeto de lei se torne rapidamente uma lei, assim, num piscar de olhos....porquê ?? Vejamos a justificativa dessa PLP ( pesquisei na internet o conteúdo da mesma e no final vinha essa justificativa sem vergonha):


"A aculturação indígena, que tem retirado grande número de silvícolas (tsc) de suas aldeias, é dado importante para ser considerado no âmbito da discussão da expansão de terras já demarcadas. As áreas destinadas aos indígenas, muitas vezes, ultrapassam o tamanho de municípios que acolhem população centenas de vezes maior que a população indígena habitante da reserva.
Como exemplo podemos citar o recente caso da expansão das terras atribuídas aos Guarany-kaiwá (tsc). A terra em questão possui uma área cinco vezes maior que o perímetro do município do Rio de Janeiro.
 
O CIMI (Conselho Indigenista Missionário) soltou nota criticando duramente a tentativa da bancada ruralista de golpear os indíos pelas costas : "O PLP 227/2012, de relatoria do deputado ruralista Moreira Mendes (PSD-RO), pretende legalizar o esbulho das terras indígenas, bens da União, em benefício de latifúndios (agronegócio) privados, estradas e execução de projetos hidrelétricos, expansão urbana, extração de minérios e toda sorte de infortúnios que tal processo costuma carregar em seu ventre de desgraça".
 
Assim, o gigante tem que largar a mão de ficar bocejando e ir em frente. Não dá pra parar, não pode, não deve.
Nada mudou, não sejamos ingênuos!
 
***Só um adendo, o Dudu, ativista, ator, continua preso aqui em Campo Grande. Estava participando de uma manifestação e foi plantado em sua mochila 23 papelotes de cocaína....foi preso em flagrante pela guarda municipal....muito estranho mesmo ele ter sido preso justamente pela GM, porque desde 2010 o seu discurso político bate de frente com a atuação da guarda, e pra prendê-lo o arrastaram para trás da Prefeitura, na calada da noite, pra ninguém ver a armação...o Dudu caiu na emboscada, e ele só queria protestar!