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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

amor mercenário

A pequena olhava o relógio.
 Havia perfumado o corpo, colocado um salto e maquiagem no rosto.
O vestinho de bolinhas era para dar um ar de menina.
Combinou o encontro alguns dias atrás.
Estava confusa ainda.
Enquanto pegava a condução para chegar ao local escolhido pensou em revidar.
Sentia-se enojada em fazer o que pretendia.
Contudo, tinha que experimentar.
"Bandido", pensava alto.
O Hotel Gaspar era conhecido como um dos mais elegantes da cidade.
A pequena chegou meia hora antes.
Analisou o quarto, acendeu um cigarro, serviu -se de whisky.
Aquele homem que só estava acostumado a vê-la sempre tão carola iria se surpreender.
O plano era se entregar pela primeira vez a qualquer marginal.
Não queria ser como às outras mulheres.
Pelo menos uma vez na vida faria uma escolha.
Estava certa de que o sexo, essa descoberta de si mesma, era na verdade algo natural.
Olhava os cachorros fazendo, e de certa maneira, era tão comum, não sentia vergonha.
O escolhido foi logo lhe arrancando a roupa, mordiscava o seu pescoço, beijava a orelha.
Era o dominador da situação, o macho, o homem carnal, sedutor.
A pequena que tinha a intenção de se enveredar em busca de uma nova persona,
pulou em cima do pretendido, o engoliu lentamente, gemeu,
e no instante da sua mais libertária cavalgada o fez broxar.

5 comentários:

Divagante disse...

Adoro seus contos. Sao sensuais, intimos e intrigantes. ...

raimundo silva disse...

Olá, Pollyana! Pietrix me trouxe até aqui. Gostei da sua crônica (ou seria um miniconto?), concordo com Divagante e acrescento o humor fino às qualidades. Um abraço.

raimundo silva disse...

Olá, Pollyana! Pietrix me trouxe até aqui. Gostei da sua crônica (ou seria um miniconto?), concordo com Divagante e acrescento o humor fino às qualidades. Um abraço.

Pollyana disse...

Oba!! Eu e o Pietro somos uma dupla infalível!! Valeu Raimundo!! E Divagante...obrigada!!

Pollyana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.