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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sylvia Plath

Estava quase dormindo, o calor da meia-noite me fez tirar a roupa, trinta graus, por aí , aqui nesse sul de mato grosso. Chuva fina para deixar o mormaço. Ele queria me levar pra casa. Se dormisse ali, em plena segunda-feira iria ouvir a semana inteira reclamações da D.Irma. Começou a me mostrar fotos de Sylvia, escrevo com y mesmo por ela ter me lembrado Sylvia Plath. Mórbida e linda. Seios de deusa do amor, tatuagens , cachos, me deu uma super pontada de ciúmes. As cartas, os desenhos , as frases colhidas ... como Plath ela também era uma artista, como Plath também não conseguiu viver nesse mundo. Me entristeci com a história dessa menina, de ela ter pertencido ao meu menino, um sentimento constrangedor de posse , quisera que ele tivesse sido apenas meu, aquela visão romântica do príncipe encantado ou trocando os papéis, como tenho uma dose masculina na minha personalidade ele seria a minha Branca-de-neve, pura, virgem, que acordara no primeiro beijo meu. Eu também tenho a minha caixa secreta, minhas cartas dos primeiros amores, os bilhetinhos e poeminhas. Época em que eu era a Branca-de-neve, acreditava nessas confissões e relia todo mês as pequenas dores de amar, as doses em contagotas dos meus amores. Fiz minha histórias nessas caminhadas, os percursos do meu coração me fizeram então desacreditar daquele romantismo dos meus dezessete anos. Dez anos após essas veredas me encontro aqui amando e feliz ( possessiva como nunca fui).
Não tenho mais aqueles seios de menina, aquela barriga durinha, pode ser essa a razão da minha insegurança mas mesmo não tendo o estereótipo de menininha me vejo romantizando tudo de novo. Encontrei o meu príncipe que não é de contos-de-fada, mas mesmo assim sabe manejar um cavalo, e me vê como nunca ninguém percebeu. Me chama de guriazinha, me abraça e me faz chorar . Disse para ele que não queria ser apenas mais uma lembrança, uma carta no fundo baú, era esse o meu medo. Inevitável, a vida , as pessoas tendo essa perspectiva ou não, acabam se transformando em lembranças, alimentando a nossa caixa-preta. É o curso natural de nossa existência, não há nada a temer.

Um comentário:

Pollyana disse...

coloquei um s a mais na palavra história na linha 19. Só uma correção, mania de jornalista!