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terça-feira, 4 de novembro de 2008


Desliguei o telefone. Ele estava na rua. Estava caminhando pela rua da Prefeitura, indo pegar um ônibus, iria lecionar música. Iria pegar a vanzinha azul, que eu tanto peguei, que caminharia pelas ruas campineiras. Eu, estava deitada de bruço na cama. Desliguei o telefone frustrada. Fui até a cozinha subi na cadeira para pegar uma caixa do armário. Tinha visto cigarrilhas numa caixinha de metal. Aqui em casa todo mundo fuma escondido: minha mãe, meu pai e eu. Procurei e não havia mais.Fiquei pensando em como as nossas vidas tomaram rumos diferentes. E isso deve acontecer com todo mundo. Eu como bolachas enquanto meu filho está na escolinha. Por mais que as responsabilidades tenham se exaltado em mim, continuo sendo cria dos meus pais. Meus cabelos brancos e a falta de cabelos do meu amigo nos mostra a evolução do tempo.Nossas histórias secretas, nossas risadas, nossa intimidade de poder falar tudo que passa na mente, nossas paixões gêmeas, nossa sensação de estarmos nos anos 60, eu era a Heloísa e ele o Galeno. E a minha vida me vem aos olhos da sua maneira energética, bem explorada, experimentada em todas as suas feições. Como soube aproveitar, e como era bom ter amigos. E que falta que eles me fazem sempre. O Antônio me preenche de uma maneira especial, é tudo diferente agora. Mas me falta os desabafos, os cigarros compartilhados, os comentários dos nossos filmes, a vontade de mudar o mundo, me dá saudade das minhas épocas de rádio muda, de pegar o ônibus e visualizar a cidade em cada entranha, dançar um blues, dar risada sem saber do quê, comer no restaurante vegetariano, olhar o mundo pela janela do meu apartamento, ir a pé no Cine Paradiso, comer moqueca na Tonha, beber no bar do zé, tomar cuba no delta blues, visitar o Platô, fazer rango às quatro da matina na casa do Cris, o sorriso da Di, as tardes no CDMC, a feira hippie, fazer chá doces sonhos, ir aos "concertos" de música eletroacústica, comprar maça na barraquinha da orozimbo maia, ir a catedral, nas reuniões do DACOM, ao bosque, as caronas, de tudo um pouco vou visualizando. São apenas as memórias que colorem a minha vida, dou meia risada. Dá pra ver?

Um comentário:

Cristiano Melli disse...

Lindinha! Lindinha!
Como vc me faz falta!!!!!
e ao mesmo tempo....fico tão feliz de ver como vc está hoje, tão bonita, tão mamae...o único defeito é o tão longe, mas....
Pri, não tomamos rumos diferentes não. Tomamos rumos. Mas vc está sempre do meu lado, vc, sua risada, sua lembrança, a certeza da amizade. E eu estou do seu, lindinha, sempre, e vc sabe disso....
E é tão bom ter vc na minha vida!!!